quinta-feira, 18 de setembro de 2008

MERO



NOME CIENTÍFICO:
Ephine phelus Itajara

FAMÍLIA
Serranidae



Se quiséssemos eleger uma espécie de peixe que simbolizasse os mares, especialmente o Mediterrâneo, certamente que escolha recairía sobre o mero Epinephelus marginatus. (Lowe, 1834).

A ESPÉCIE
O Mero, também conhecido como Senhor das Pedras, é um dos peixes presente na crescente lista de espécies ameaçadas de extinção em todo mundo. Pertence á família Serranidae (ex. garoupa, badejo, cherne) e pode chegar a mais de 300Kg de peso total, seu formato é arredondado e chega a ultrapassar dois metros de comprimento. Mero pode atingir um comprimento máximo de 2,7 m e 455 kg de peso. Porém ao se aproximar, você se depara com um peixe, que apesar de sua imponência, permite que as mãos humanas passeiem por sua pele escamosa. Vive até 100m de profundidade. Vive até 100m de profundidade. Os Meros são peixes que vivem cerca de 40 anos, crescem devagar e demoram a iniciar atividade reprodutiva. Quando você retira um animal tão grande do mar, o papel que este peixe representava no ambiente vai demorar para ser novamente exercido por outro peixe. Isto quer dizer que aquele indivíduos vai fazer muita falta dentro do ambiente. Outro problema é o fato dos Meros agregarem-se, isto é, reunirem-se em datas e locais conhecidos pelos pescadores. Quando estão juntos tornam-se ainda mais vulneráveis




CARACTERÍSTICAS:
É o maior dos representantes no Atlântico são marcados visivelmente por seus cabeça lisa e larga, espinhos dorsais curtos, olhos pequenos e dentes caninos. Sua cor varia de marrom amarelado à azeitona, com os pontos escuros pequenos na cabeça, no corpo e nas barbatanas. Quando se sente ameaçado, costuma abrir a boca e tremer o corpo, na tentativa de afugentar o oponente. Normalmente é lento, confiante e curioso, permitindo fácil aproximação de mergulhadores.

HABITAT
O Mero ocorre nas águas costeiras e tropicais dos oceanos Pacífico e Atlântico. No Brasil sua incidência é menor Região Sul. Habita águas tropicais e subtropicais do oceano Atlântico. É uma espécie de peixe que habita zonas estuarinas (manguezais) e áreas costeiras, por isso, costumam ser encontrados em manguezais e costões rochosos, próximos de naufrágios, pilares de pontes e parcéis. É um nectônico costeiros de águas rasas, sendo comum nas áreas coralinas e/ou rochosas. É um peixe solitário e territorialista, sendo muitas vezes encontrado dentro ou próximo de tocas espaçosas, junto a grandes lajes ou em embarcações afundadas. Meros adultos e principalmente os juvenis estão presentes nos mangues dentro de estuários. Apesar de habitarem áreas residenciais de certo modo fixas, possuem grande mobilidade e capacidade de se deslocarem por grandes distâncias. O Mero é encontrado geralmente em águas tropicais e subtropicais no Oceano Atlântico da Flórida ao Brasil (até Santa Catarina), ao longo de todo o golfo do México e em partes dos Caribes (Sadovy et al., 1999). Geralmente estão distribuídos em águas tropicais, mornas-quentes-temperadas, perto de naufrágios, rochas submersas, recifes de corais e outros substratos duros. O Mero também é encontrado próximo às Bermudas (embora raro), no Pacífico oriental do golfo da Califórnia ao Peru (chegando provavelmente através do canal de Panamá), no Atlântico oriental de Senegal ao Congo (também raros). Uma vez abundantes em torno das costas da Flórida e partes do golfo do México, hoje são vistos raramente (Sadovy et al., 1999). Existe um consenso em que o Mero foi sempre prolifico também fora de ambas as costas da Flórida, onde cientistas descobriram otólitos em comunidades pesqueiras pré-históricas (Sadovy et al., 1999). O Mero aprecia abrigos: furos, cavernas, recifes e naufrágios. São encontrados principalmente em águas rasas, baías e estuários nos Everglades, Baía da Flórida e Florida Keys. Juvenis procuram abrigos em mangues, enquanto adultos em torno de naufrágios mais afastados da costa. Grupos de juvenis as vezes formam cardumes em torno de naufragios e recifes em profundidades de aproximadamente 45m, mas a maioria são encontrados em torno dos habitats rasos inshore como mangues e canais pouco oxigenados. No golfo de México, o acasalamento atinge o pico entre julho e setembro (Sadovy et al., 1999). Agregam em locais específicas em números de até 100 indivíduos. Uma vez comum em águas fora da Florida e do Golfo do México há trinta anos, nenhum agregado foi observado fora da costa do leste da Florida nos últimos 25 anos. Agregados de até 150 peixes caíram a aproximadamente 10 em 1989 na parte oriental do Golfo do México. Entre 1979 e 1994 não houve nenhuma observação visual da espécie no parque nacional de Biscayne, Florida à Dry Tortugas e Florida Keys (Sadovy et al., 1999). Na Flórida, o Mero está sendo monitorado a alguns anos por pesquisadores. Desde 1994, estudos em populações de Meros no Golfo do México têm conduzido à observações de agregados reprodutivos de Meros com aproximadamente 50 indivíduos a cada verão. Os cientistas têm trabalhado desde 1997 recolhendo dados de abundância de juvenis e de adultos, distribuição, idade, crescimento e uso do habitat, marcando e recapturando Meros. Estes estudos visam compreender padrões sazonais de migração e revelar informações sobre a utilização do habitat (NMFS/SEFSC). Com a ajuda de pescadores e mergulhadores.




REPRODUÇÃO
Agregam-se perto da Foz de grandes rios em épocas e locais conhecidos com a finalidade de encontrarem parceiros para a reproduzir. Os machos tendem a mudar a cor ao cortejar. Quanto mais peixes estiverem reunidos, mais intensas são as interações entre os indivíduos. Notavelmente, adultos podem viver aproximadamente 30 anos de idade (26 para machos, 37 para fêmeas). Se a população fosse deixada intacta, Meros poderiam viver acima de quarenta anos de idade. Começam a reproduzir com 1,1 a 1,2 metros de comprimento e com 4 a 7 anos de idade. Como todos os membros da subfamília Epinephelinae, os meros são peixes hermafroditas protogínicos ou seja, vivem inicialmente como fêmeas transformando-se, a partir de determinada altura e irreversivelmente, em machos. Uma das particularidades deste fenômeno assenta no fato de a mudança de sexo não se dar de acordo com uma determinada idade mas sim em função da estrutura populacional de um dado lugar. Isto é, para que um mero fêmea se transforme em macho é necessário que exista uma pressão populacional de indivíduos de pequeno tamanho que possa induzir as fêmeas de maior porte para o início do processo de inversão sexual. Deste modo, se numa dada população de meros não existirem juvenis as fêmeas podem nunca chegar a passar a machos o que, teoricamente, põe em causa a viabilidade dessa população. De fato, em algumas regiões do Mediterrâneo norte, onde, aparentemente, a espécie não se reproduz e onde não se observam juvenis, existem fêmeas com tamanhos e pesos (mais de 20 kg) que, nas outras populações, já correspondem a machos. Nos Açores, felizmente, esse problema não existe. Nas nossas águas os juvenis são comuns e mesmo abundantes em alguns locais. As fêmeas mudam de sexo por volta dos 8 a 10 anos de idade, numa altura em que o seu comprimento oscila entre os 80-90 cm e o seu peso ronda os 10 kg. As fêmeas podem produzir cerca de 300 000 óvulos por cada kg de peso vivo e os machos podem produzir uma quantidade de sêmen equivalente a 10% do seu peso total. Assim, uma fêmea com 9 kg produzirá cerca de 2 700 000 óvulos enquanto que um macho de 25 kg terá cerca de 2,5 kg de sêmen. Na época de reprodução, que é muito restrita e que, provavelmente, se estende apenas durante uma semana no mês de Julho, os meros formam grandes agregações em determinadas zonas da costa e reproduzem-se em massa. Os grandes machos são os primeiros a chegar ao local seguidos pelas fêmeas e, em poucos dias, estas largaram os seus óvulos que, após fecundação externa, passam a derivar na coluna de água.


CRESCIMENTO
Como a maior parte das espécies de peixe, o crescimento dos meros é inicialmente rápido tornando-se lento à medida que os anos passam. Após consumirem o vitelo, os alevinos assentam no fundo fixando-se ao substrato rochoso. Em Setembro, as post-larvas, autênticas miniaturas dos adultos, colonizam poças de maré no intertidal rochoso, por vezes em grandes densidades. Nesta fase, os jovens meros parecem ser bastante territoriais sendo nitidamente mais agressivos uns em relação aos outros do que quando atingem maiores tamanhos. O canibalismo, nesta idade, não é raro. Quando atingem os 5 kg de peso, a maioria dos meros já são fêmeas funcionais.

ALIMENTAÇÃO
Os Meros são predadores, alimentam-se principalmente de crustáceos, lagostas e caranguejos . Juvenis alimentam-se de camarões, caranguejos e bagres marinhos, mas pode atacar tartarugas, peixes e raias. Voraz, costuma engolir sua presa inteira. Ao longo da sua longa vida, e como conseqüência das transformações em tamanho, os meros modificam drasticamente a sua dieta. As post-larvas e os pequenos juvenis das poças de maré alimentam-se de uma grande variedade de pequenos invertebrados pequenos moluscos e peixes, incluindo, os da sua própria espécie. Os jovens adultos têm uma dieta de peixes e os grandes exemplares parecem ter uma grande preferência por polvos, embora não desdenhem os crustáceos e os peixes. Os meros jovens e as fêmeas, são observados a caçar utilizando uma postura característica em que formam um ângulo de cerca de 45º com o substrato (figura 1). Deste modo, quando um peixe passa por cima deles o mero, através de um poderoso impulso da sua forte barbatana caudal, engole a presa "aspirando-a" com a sua enorme boca. Os grande machos, por seu lado, e apesar de continuarem a caçar daquela forma, são mais comumente observados a nadar lentamente rente ao fundo, contornando as rochas, quase como se "rastejassem", e atacando de frente os invertebrados, principalmente polvos, com que se deparam. Os meros são, essencialmente, predadores diurnos que se encontram mais ativos ao nascer do sol, ao meio dia e ao fim da tarde. Durante a noite, e embora sejam por vezes observáveis em plena atividade, recolhem-se às suas tocas.
A proteção do mero através da criação de reservas tem-se revelado muito eficaz em algumas regiões do Mediterrâneo.

AMEAÇAS:
A maior ameaça ao Mero é provavelmente o homem, desde que é um peixe excelente como alimento, sua carne é deliciosa e branca. São também peixes fáceis de pescar, utilizando-se de uma variedade de artefatos (armadilhas, linhas de mão, redes de emalhe e arbalete de pressão). Não há muitas informações sobre seus predadores naturais, porém tubarões atacam juvenis em linhas de espinhéis armadas em torno dos mangues. Outros Serranídeos, barracudas e moréias alimentam-se provavelmente de juvenis (Sadovy et al., 1999). Entretanto, uma vez alcançado a maturidade, poucos predadores podem se alimentar devido seu tamanho e natureza discreta (GMFMC, 2001).



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